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07/04/2017

As laterias da Gessika!

Colaborador: Junior Quibao, rafardense

Colaborador: Junior Quibao, rafardense

ARTIGO | Em especial ao Fusca, Poços de Caldas, e aos que tem ferrugem nas veias, ou saudade no coração!
Coisas simples que fazemos, às vezes nos trazem á memória antigas emoções.
Eu passei por isso á poucas horas quando fui retirar as laterais da Gessika, uma Kombi 1974 de um amigo meu, na fabrica que tem em Capivari.
Ao pegar aqueles “pedaços de Eucatex” nas mãos, uma viagem mágica e muito rápida passou por minha mente, que não sofre as mesmas limitações de tempo e espaço que sofre o nosso corpo físico, e voei á minha infância.
Relembrei da Kombi do Super Homem, das entregas de compras do velho armazém de Itapeva, depois, já morando na cidade, das entregas de leite de saquinho que meu pai fazia nos comércios. Ele ia de madrugada á Sumaré buscar o leite, voltava á Rafard e depois das 7:00 começava as entregas, e quando eu não tinha aula era uma festa, pois eu ia junto. Mas um dia ele foi buscar outra carga á tarde, e pra minha felicidade eu fui junto, aquilo foi uma viagem mágica, pois Sumaré era “longe” quase outro pais em minha mente infantil. Era um serviço sofrido o dele e o lucro era muito pouco até que ele vendeu a representação e passou á fazer carretos para varias fabricas, e quantas vezes fui junto dele á Tatuí e Laranjal Paulista, bem esse nem eram em outro pais, mas em outro planeta! Ainda lembro o sabor de um suquino que era vendido em um saquinho que a gente furava com o canudo e bebia, isso em uma barraca sob uma árvore muito frondosa na estrada de Laranjal. Aliás, fico pensando se esta árvore ainda existe e se esta barraca ainda serve aquelas deliciosas pizza brotinho.
Outra coisa que lembro bem foi de uma noite que fomos entregar uma carga de sacos de Nylon em Tatuí. A carga estava pouco abaixo do nível das janelas e eu fui deitado nela, minha mãe foi junto esse dia. Uma certa altura fomos parados por uma viatura da polícia rodoviária e com um farolete examinam a carga e eu em cima dela, mas mandaram seguir viagem, imagina se fosse aos dias de hoje!
Outra aprontada minha nesta viagem foi que como bom curioso eu tinha pegado um isqueiro Criket acho que era o nome, coisa moderna lançamento na época e que estava vazio, mas que a pedra ainda fazia faísca. Escuridão da estrada e eu brincando com ele e faço faísca, a Kombi se acendeu, meu pai quase teve um troço com o susto e eu levei uma bela “ensaboada”.
Olha como o tempo e espaço é relativo, coisas que me vieram á mente em segundos demorei muito para botar no “papel”!
Juliano, meu grande amigo, obrigado por me proporcionar esta emoção de ir buscar as laterais da Gessika!