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12/05/2017

Ética no Trabalho 3

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

ARTIGO | Transcrevo um relato: “No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta:- Quantos rins nós temos? – Quatro! – responde o aluno. – Quatro? – replica o professor arrogante, daqueles que sentem prazer em gozar com os erros dos alunos. – Tragam um fardo de palha, pois temos um burro na sala. – ordena o professor ao seu auxiliar. – E para mim um cafezinho! – pediu o aluno. O professor ficou furioso e expulsou-o da sala. O aluno era Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), o ‘Barão de Itararé’. Ao sair, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o irritado mestre: – O senhor me perguntou quantos rins ‘nós temos’. ‘Nós’ temos quatro: dois meus e dois seus. ‘Nós’ é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim. Moral da História: A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento. Às vezes as pessoas, por terem um pouco a mais de conhecimento ou acreditarem que o tem se acham no direito de subestimar os outros… E haja palha!” Muitos ferem a ética ao julgar precipitado, ou por não ouvir antes de avaliar (veja os conselhos de Shakespeare – artº anterior), por ser chato e pegajoso, por ser esdrúxulo, arrogante, ególatra…

No meu curso de magistério aprendi a aplicar teste de QI (Quociente Intelectual) que afere a capacidade intelectual dos alunos e por esse teste eram classificados. Descobertas da psicologia provam que a Inteligência Emocional (I.E.) é mais importante do que a intelectual. Esta é a capacidade mais técnica, mecânica, matemática, livresca, mais voltada para a concentração individual, enquanto a I.E. é a capacidade de identificar os sentimentos próprios e o dos outros, de socialização, e de comunicação, voltada para o relacionamento interpessoal, de liderar, trabalhar em equipe. Segundo vários psicólogos as mulheres têm mais I.E. e os homens mais Inteligência Intelectual, claro é que há exceções. Daniel Goleman PhD, no seu livro “Trabalhando com a Inteligência Emocional” registra pesquisa reveladora: a I. Intelectual é responsável por 4 a 25% da aprendizagem e a I. E. por 75 a 96% (p. 32-33). Ser muito inteligente, mas carente da capacitação emocional, torna a pessoa inútil, pois não conseguirá relacionar-se nem expor o que sabe.

Lyle Spencer Jr., diretor de pesquisa e tecnologia mundial, cofundador da HayMcBer diz: “O que se aprendeu na escola distingue uns poucos profissionais em meio a 600 empregos que estudamos. A inteligência emocional é o fator de maior peso para se obter desempenho destacado”. “Nos campos profissionais e técnicos, o limiar para ingresso é normalmente um QI (quociente intelectual) de 110 a 120”. Mas “as habilidades interpessoais tem importância maior para o êxito nos campos técnicos” (Idem, p. 33). A capacidade intelectual é necessária para a solução mecânica, quantitativa e analítica, a I.E. evita os principais problemas interpessoais, é o potencial para se obter a competência emocional. Esta capacidade emocional resulta num desempenho destacado no trabalho. Ela possui no seu âmago as aptidões muito importantes nas empresas: empatia (que envolve ler os sentimentos dos outros, e habilidades sociais, que permitem lidar bem com esses sentimentos). Profissionais que possuem alto grau de inteligência emocional têm potencial para aprender habilidades práticas como: auto percepção, motivação, empatia e aptidão para relacionamentos (ser um conquistador e mantenedor de clientes).

Resumindo, as empresas atualmente, não se importam tanto em ter no seu quadro, profissionais muito inteligentes para lidar com máquinas, mas altamente capacitados para trabalhar com gente. Procuram-se líderes, motivadores, criativos, os quais são gemas raras no mercado de trabalho. Se quiser enriquecer o currículo deve constar a participação em instituição assistencial, ser mais ouvinte, sensibilidade para ler sentimentos do próximo, altruísmo Essas foram as habilidades que Jesus procurou, nos quase ignorantes pescadores, para serem Seus discípulos transformados em grandes pescadores de homens. Ele é o hábil Mestre que poderá nos capacitar para termos um elevado Quociente Emocional e tornar-nos joias na empresa onde trabalharmos.