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05/05/2017

Memórias… lembranças… recordações

José Roberto Guedes de Oliveira é escritor e historiador, de Capivari (Foto: Arquivo/O Semanário)

José Roberto Guedes de Oliveira é escritor e historiador, de Capivari (Foto: Arquivo/O Semanário)

ARTIGO | Rareiam, pelo tempo afora, figuras que deixaram o seu registro em forma de suas memórias.

Isto porque nem sempre gravaram em papéis as suas passagens mais marcantes e que, certamente, dariam um considerável calhamaço de registros interessantes e, até, importantes para a nossa história.

Do outro lado, também, leva-se em conta a imensa dificuldade de buscar, já longevo, o que ficou no cérebro guardado. Muitos vivenciaram situações das mais diversas; contudo, não conseguiram e nem conseguem transmitir estes registros à posteridade.

Sabemos que, ao longo da evolução, o cérebro humano aumentou de tamanho e aprimorou suas funções, mas a capacidade de armazenar e recordar fatos é um enigma não totalmente desvendado pela ciência. E esse mistério vem de longe. No século 4 a.C., o filósofo grego Platão comparava a memória a uma lâmina riscada, que mantinha a impressão até ser apagada pelo desgaste do tempo.

É corrente dizer-se que determinadas pessoas possuem uma memória privilegiada e, mesmo com o passar dos anos de vida, conseguem lembrar fatos, até corriqueiros, dos tempos de criança ou da adolescência. E conseguem, pasmem, detalhar minuciosamente tais acontecimentos.

A memória é, por assim dizer, uma “caixinha de surpresas”. Mas nem todos conseguem trazê-la à baila e nos surpreender com relevantes fatos que marcaram a sua vida num passado remoto.

A psicologia nos ensina que “recordamos com mais facilidade algo que associamos a um contexto ou que tenha importância emocional”, (memória explícita). Do resto, somente os acontecidos mais recentes (memória implícita), Advertem-nos de que a memória parece uma habilidade infalível, mas o fato é que quando lembramos de algo nunca reconstruímos a cena com fidelidade.

Ficamos, então, com a “memória privilegiada”, talvez fruto de uma enorme inteligência, capaz de em questão de segundos, descrever fatos e acontecimentos ocorridos em determinado dia, de determinado ano, de determinada década.

Feito tudo isso, situamos o Francisco Ricardo Rogieri, com esta obra de significativa importância histórica e social “As Minhas Lembranças”. Isto, é claro, produzido nestes últimos 4 anos que antecede o seu centenário de nascimento.

As folhas de cartolina foram colocadas sobre a mesa e, buscando as suas lembranças, o memorialista passou no papel as recordações de seu passado, muito dos quais bem distantes e detalhados. E se ousassem pedir-lhe mais registros, com todo o prazer e com toda a sua facilidade, mais páginas… e mais páginas…

O livro As Minhas Lembranças é algo que nos prende a atenção, nos produz exclamações e admiração. Ganhamos, na verdade, o resgate da nossa história e, certamente, Capivari e toda a sua região.

Desconheço, sinceramente, similar obra de algum autor da nossa terra. Seria interessante tal pesquisa.

O importante é, nestas rápidas pinceladas, dizer o quanto este livro tem de importância para todos, não só pelo que o memorialista representa, mas, também, pela sua figura tão brilhante e acolhedora.

Parabéns, Francisco, pelos seus 100 anos e por nos brindar com a excelência de sua “memória privilegiada”.