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28/07/2017

O melhor livro de ética – 6

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

ARTIGO | Vimos, sem apologia, que biblicamente, Deus nos deu o sábado como decreto, ainda vigente como dia de repouso semanal, para refestelar-nos. Foi dado para o bem do homem, a fim de que ele pudesse meditar e comungar com Deus e usufruir de Suas bênçãos, de reunir-se com a família junto à natureza, e assim contemplar as maravilhas criadas por seu Pai, para que se sentisse como pertencente ao Criador, feliz e seguro. A guarda do sábado é um sinal preeminente entre os símbolos de nosso pacto com Deus que somos parte de Seu povo, filhos de Deus (Ex 31:13; Ez. 20:12,20), diz Chuck Scriven, citado por Samuele Bacchiocchi “Reposo Divino para La Inquietud Humana, p. 205). Foi num sábado que Jesus iniciou Seu ministério (Lc 4:16-21) em cumprimento à profecia de (Is 61:1-2); foi também num sábado que Jesus, terminado Seu ministério, descansou numa tumba (Lc 23:54-56 e 24:1). Samuele Bacchiocchi, renomado teólogo apresentou sua tese de doutorado “From
Sabbath To Sunday” na Pontifical Gregorian University Press, em Roma, sendo aprovada com distinção e dela tiramos algumas citações. Ele afirma que a mudança da observância do sábado para o domingo se deu pelas autoridades eclesiásticas e não por preceito bíblico e cita Thomás de Aquino: “Na nova lei a observância do dia do Senhor tomou o lugar do dia do sábado, não em virtude de preceito (quarto mandamento) senão por instituição da Igreja”. P 211. O Catecismo do concílio de Trento (1566) diz: “Pareceu bem à Igreja de Deus que a celebração religiosa do sábado fosse transferida ao dia do Senhor’.” Lutero reitera “Eles (os católicos) alegam que o sábado foi mudado para o domingo, aparentemente contra o Decálogo”. (Confissão de Augsburg 1530). João Calvino, Advogado, teólogo , fundador da Igreja Presbiteriana também diz nas Institutas que o domingo é uma instituição humana. Idem.
A História ajuda-nos a compreender por que o domingo foi adotado pela Igreja Católica e depois pela maioria dos cristãos. Já por volta de 1500 a.C, havia culto ao deus Mitra, cuja data principal era 25 de dezembro, no solstício do inverno, quando o Sol “renascia”. O seu culto era generalizado na Babilônia, entre os hititas, Índia, Egito e Pérsia. Na Pérsia o zoroastrismo, dualista, adotou do mitraismo o deus Sol, a água benta, o batismo, a deusa mãe, o culto aos domingos, o 25 de dezembro, estátuas e mitreus. “Hist. da Civilização Ocidental, Ed. MacNall Burns, v.2, p. 259 (ver também as ps. 61, 106-107). Por ocasião da invasão romana na Pérsia (72-68 a.C.) os soldados levaram o mitraismo para Roma, onde se proliferou e chegou a ter milhares de templos no império romano e muitos membros influentes como o próprio imperador Constantino 1 (307-339). Adorador do “Invictus Mithra”, o Invictus Sol, fez o famoso edito no dia 7 de março de 321: “Que todos os juízes e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos, visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha, daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu”.
O deus Sol era tão importante, que imperadores como Adriano se fazia representar pelo Sol. Por algum tempo os mitraistas reuniam-se no domingo e os judeus e cristãos continuaram adorando aos sábados. No ano 325, no Concílio de Niceia, a Igreja estabeleceu a santificação do domingo em lugar do 4º mandamento da lei de Deus. O Papa João Paulo 2, reconheceu que o sábado é o dia de Deus e que a Igreja o mudou para domingo, a princípio como o dia do venerável e Invictus Sol. Ver Carta Apostólica “Dies Domini” Sobre a Santificação do domingo. P. 20. 31/5/1998.
A diferenciação entre a guarda do sábado e do domingo é de importância capital, ela se fundamenta na obediência a Deus que ordenou a observância do sábado ou na obediência à autoridade humana para observar o domingo; na comemoração da criação e adoração ao Criador ou para adorar ao astro divinizado; no dia santo estabelecido por Deus, no dia de festividades estabelecidas pelo homem ou no dia santificado por Deus. Todos temos livre arbítrio, podemos obedecer à lei de Deus ou dos homens, o juízo e os ditames da consciência trar-nos-ão os consequentes resultados.