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21/07/2017

Sucesso e fracasso deixam pistas

marcel-capretzARTIGO | Falar do mau momento do São Paulo é fácil, mas ao mesmo tempo complexo. No dia-a-dia para o torcedor interessa as escalações, as contratações e as polêmicas. Mas quando um clube grande fica dez anos sem importantes conquistas e perambula pela zona de rebaixamento seguidamente fica claro que o problema é maior do que aparenta.
O modelo de gestão do São Paulo hoje é muito confuso. Não se sabe, por exemplo, se o clube se dispõe a ser um revelador de atletas ou para utilizar em seu time profissional ou para vende-los ao mercado exterior. Existe alguma coerência em vender David Neris para o Ajax sem ele ter feito ao menos dez partidas profissionais pelo clube e gastar uma grana gigantesca com Lucas Pratto? E então deixar sair João Schimidt e pagar por Petrus? Não discuto aqui qualidades individuais e sim conceitos de gestão técnica de um clube de futebol.
A ideia de futebol do São Paulo também não segue os parâmetros lógicos de se buscar uma metodologia e conceitos amparados na história e cultura do clube e a partir disso consolidar uma comissão técnica permanente que faça o suporte da implementação de um modelo de jogo que o técnico que assuma a equipe seja apenas uma e não a peça principal nessa engrenagem. Rogério Ceni chegou e trouxe dois auxiliares estrangeiros. Dorival Júnior veio e trouxe três profissionais para trabalhar com ele. Cada um com seu histórico, ideias, conceitos e filosofias. Pouco fica para o clube.
Essas dissonâncias tem como guarda-chuva um conturbado e enfadonho ambiente político onde a vaidade é sentida por todos. Inclusive pelos jogadores. Não há hoje no São Paulo um ambiente calmo, carregado de emoções positivas que favorecem o desenvolvimento e florescimento profissional onde todos se sentem engajados para atuar em alta performance, no máximo das suas potencialidades. Vemos em campo um time frágil emocionalmente, que se abala ao sofrer um gol, que demonstra pouco poder de reação.
O sucesso e o fracasso deixam pistas, rastros e são previsíveis. Faça o que pessoas, times e organizações de sucesso fizeram e você o terá. E o lado inverso segue a mesma lógica. Ambiente conturbado, time mal psicologicamente, troca de comissão técnica entra e sai constante de jogadores com a competições em andamento combinam perfeitamente com rebaixamento. Como falei, é previsível. Dá para mudar. Tem que correr. Tem que querer. Pra ontem.