Você está aqui: Capa » COLUNISTAS » Denizart Fonseca » Capivari e sua verdadeira história XIV
04/08/2017

Capivari e sua verdadeira história XIV

Denizart Fonseca é professor de Educação Física e militar (Foto: Arquivo pessoal)

Denizart Fonseca é professor de Educação Física e militar (Foto: Arquivo pessoal)

ARTIGO | Aparecendo, entretanto, uma indicação do Vereador Pires narrando os fatos de uma maneira muito oposta à verdade, na qual muito se procurava legalizar as eleições feitas, concluindo que se sustasse na posse e de tudo se levasse ao conhecimento de V.Excia, isto constatava que havia pretensão de oposição, com força, à mesma posse. Entre os Vereadores abaixo assinados, bem que concordassem na essência com a indicação apresentada, visto que na Sessão de 12 tinham votado, para que tudo fosse levado ao conhecimento de V.Excia, não puderam, todavia concordar na maneira por que a dita indicação se achava redigida, pois que ai se desfiguravam os fatos acontecidos com o intuito de se legalizar as eleições feitas, porque nisso tinham particular interesse, porquanto dois tinham sido membros da Mesa Paroquial, como já se fez vera V.Excia, e outros dois, Manuel Ferraz de Sampaio e Saturnino Paes Leite eram cunhados e primos do principal agente de todas estas irregularidades, Manoel de Campos Penteado e Mello, à exceção do Pároco unicamente, e portanto estreitamente unidos entre si e dispostos para tudo quanto os outros dois quisessem fazer. Não podendo os abaixo assinados concordar com a indicação apresentada, porque não quiseram prestar suas assinaturas para sancionar tantas falsidades indicaram que a representação à V.Excia, fosse redigida da maneira mencionada na copia inclusa, mas, pondo-se em votação, passou a da maioria e desprezaram-se as dos abaixo assinados.
A maioria as Câmara diz na representação que as eleições estão muito legais, mas o contrário consta da representação que se dirigiu à V.Excia, diz mais que se pretendia fazer oposição com força à posse, isto, porém é falso, porque os cidadãos o que diziam unanimemente era que não obedeceriam aos juízes eleitos, mesmo depois que tivessem tomado posse, senão depois que V.Excia a quem estava afeto, estivesse decidido definitivamente; por consequência a minoria da Câmara via-se obrigada a prestar o seu concurso a todas estas falsidades, impróprias, sem dúvida, de todo homem que presa um pouco a sua dignidade.
Para que, V.Excia fique melhor inteirada da verdade, para que conheça perfeitamente como as coisas se arranjam para iludir as autoridades superiores, para que enfim conheça o espírito de partido e intriga que desgraçadamente retalha esta Vila, os abaixo assinados julgaram conveniente juntar à representação inclusa estas reflexões, a fim de que V.Excia possa, com pleno conhecimento de causa, decidir com acerto e justiça, que lhes são próprios. Deus guarde a V.Excia muitos anos. Capivari, 15 de maio de 1834. – Joaquim Piza / Salvador Bonilha e José Ferraz de Arruda”.
Remetidos os ofícios, e as “reflexões”, foram-se os camaristas para suas fazendas e ocupações habituais, serenou a efervescência eleitoral, e uma angustiosa expectativa desceu sobre o povoado e manto impenetrável de sua paz.
As notícias, todavia, começaram a chegar pressagiando a derrota da maioria da Câmara. A primeira a aparecer foi a da nomeação de Souza Queiroz, a 11 de maio, para Presidente da Província.
Souza Queiroz era sobrinho do Tenente Pais de Barros e Pais de Barros, era sogro do vereador José Ferraz de Arruda. E, mais do que isto, era, com o Capitão Corrêa Leite, chefe do partido minoritário, de Bonilha e Ferraz.
Mas seria o Presidente capaz de anular as eleições capivarianas para atender injunções de família? (Segue) Obs.- Por se tratar de cópia, não podemos mudar as expressões originais.

Cidadania
Prometer é fácil, difícil é cumprir, razão pela qual repetimos uma frase de nossa autoria:- “Jamais prometas o que não saibas; não possas; não devas ou simplesmente não pretendas cumprir, fazendo-se merecedor de adjetivos não publicáveis”. Deu pra entender?