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11/08/2017

O melhor livro de ética – 8

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

ARTIGO | Cortesia é uma joia preciosa integrante e indispensável de um bom caráter. É muito curiosa a etimologia de “cortesia”: uma palavra latina para designar um estábulo; passou a ser residência rural de um fidalgo ou de um rei para caçar, casa de campo, então passou a ser o lugar onde se julgava em nome destes; daí passou a ser o palácio onde o rei e seus ministros se reúnem para julgar e governar. Cortesia então é a maneira de se comportar na corte, boas maneiras, delicadeza, etiqueta, bons modos, mesura, gentileza, amabilidade, finesa e até mimo, presente, oferta. Cortesia é a mola propulsora do sucesso. Conta um fazendeiro, que certa vez, vindo com roupa suja da fazenda, parou numa concessionária de caminhões e ficou admirando-os. Dois vendedores passaram por ele, depois o gerente da loja, nem o cumprimentaram. Ele saiu e foi para outra loja onde o cumprimentaram, deram-lhe as orientações sobre os caminhões. Ele comprou cinco caminhões e ainda disse ao vendedor: “estarei de volta no mês que vem para comprar mais oitenta iguais a estes”. Como as engrenagens necessitam de lubrificante, assim precisamos da cortesia para o bom relacionamento humano. Não estamos falando de um ato cortês, de um comportamento gentil e amável fortuito, mas do agir cotidiano, atencioso, solidário, benfeitor, bondoso, costumeiro e magnânimo. Tais atitudes fortalecem as algemas que unem marido e esposa, pais e filhos, tonificam os laços de amizade, enobrecem patrões e empregados, dignificam o caráter preparando-o para o convívio com os anjos.
Conta Júlio S. Shwantes que certa vez a rainha Vitória, da Inglaterra, fazia passeios a pé pelo campo sem se dar a conhecer. Num desses passeios foi surpreendida pela chuva. Bateu à porta de uma casa e pediu à senhora, que a atendeu, um guarda-chuva emprestado. A mulher emprestou-lhe resmungando rudemente: _ “Pega este velho, está meio quebrado, não vai voltar mais mesmo”. A rainha agradeceu e saiu. No dia seguinte, um senhor, muito bem vestido, bateu à porta daquela casa e disse: “Em nome da rainha Vitória estou devolvendo o seu guarda-chuva e ela enviou-lhe um presente pela gentileza do empréstimo”. Aquela senhora ficou muito envergonhada, mas era tarde para corrigir sua atitude.
Há muitos anos, em Londres, um velho foi preso, numa noite fria. Estava em mangas de camisa, vendendo jornais sem licença. Ele teve de se explicar. Estava passando pela rua quando viu um jovenzinho dormindo e com muito frio, por isso tirou o paletó, cobriu o rapaz, pegou os jornais e saiu vendendo para o jornaleiro. A cortesia não conhece barreiras de cor, posição social, situação econômica. Mansa é a voz do chefe. Diz um ditado: “Quando estiver subindo, seja atencioso e gentil com aqueles que estão descendo para que quando eles estiverem subindo sejam bondosos com você se estiver descendo”.
A bajulação também se manifesta com mimos, afagos, gentilezas, mas no fim morde como a cobra e inocula seu veneno; é calculada objetivando receber uma recíproca lucrativa. Bajulação é uma demonstração do egocentrismo, enquanto cortesia é a exteriorização do amor ao próximo. A cortesia engrandece a quem pratica enquanto motiva e eleva a quem recebe. É o fruto espontâneo do amor genuíno, se praticado, será a solução para muitos lares despedaçados, gerador da sua felicidade. Escreveu renomada escritora:
“O verdadeiro amor é um princípio elevado e santo… diferente… daquele sentimento amor… suscitado pelo impulso… Pratiquem… bondade, cortesia e simpatia cristãs. Deste modo o amor será acalentado no coração e aquele que sair de tal lar para tornar-se chefe de sua própria família saberá como promover a felicidade daquela a quem escolheu como companheira da vida. O casamento, em vez de ser o fim do amor, será apenas o princípio” Patriarcas e Profetas, p. 176.
Se ouvíssemos mais os conselhos do Pai, que tanto deseja nossa felicidade, teríamos no nosso lar, um pedaço do céu, com a presença de anjos e Jesus seria nosso hóspede cotidianamente, sentiríamos o aroma edênico e nossos filhos seriam sustentáculos da sociedade. Por que não experimentar a cortesia em nosso lar?