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15/09/2017

O castigo veio a cavalo e a galope!

O castigo veio a cavalo e à galope!

João Fabricio era dentre muitos, um personagem popular da cidade de Rafard, alma pura, espírito de criança, ainda que já contasse com seus quase 60 anos de idade!

Privilegiado por ter nascido no seio de uma família que o acolheu com amor e afeto, João era querido por todos que o conheciam, com exceção das crianças, que lhe nutriam medo por causa do seu jeito elétrico, e sempre ameaçando cutucar fosse quem fosse, no seu jeito de ser, no qual não havia maldade alguma, mas que para as crianças era assustador.

João ficava sempre, como de costume na Praça da Bandeira, zanzando de um lado para outro, andar rápido, gestos também rápidos, sempre com uma mão segurando seu chapéu com receio de alguém tirar-lhe, e na outra mão o cigarro que eram suas características marcantes.

Outra marca de João era seu jeito peculiar de chupar laranjas, pois ao terminar de descascar, enfiava inteira na boca, e estranhamente conseguia deliciar-se com isso, arrancando risos e ao mesmo tempo admiração por não entender como ele conseguia fazer isso…

Eis que aparece “Chico” que foi quem me contou o fato, também conhecidíssimo na cidade, que nunca perdeu a oportunidade de uma brincadeira, ou “aprontar alguma” como se dizia, e ao ver um bagaço de uma laranja, diz a quem está ao seu lado: – Fique vendo só, o que vou fazer com esse bagaço…E dito isto, o assoprou para enchê-lo de ar, fazendo-o tomar mais corpo, e num gesto rápido, vendo que João estava distraído, atirou o bagaço em sua direção, acertando-lhe o chapéu, arrancando-o da cabeça…

João, que detestava que mexessem no seu chapéu, ficou furioso, e fungando de raiva, abaixou para pegar o chapéu do chão, que recolocou na cabeça, enquanto Chico não conseguia disfarçar o riso, colocando a mão à boca, enquanto João olhava para todo lado, a procurar seu algoz…

Chico, malandramente, havia lhe dado as costas para aparentar que não tinha sido ele, mas João nunca deixou ninguém sem o devido trôco, e ao abaixar para pegar o chapéu, encontrou algo que entendeu ser suficiente para o revide, e pegando um pedregulho do tamanho de um ovo mais ou menos, atirou na mesma direção de onde veio o bagaço da laranja, e não é que a pedra, percorrendo uma distância de aproximadamente 10 metros, veio pulando, pulando, e acertou exatamente o tornozelo de Chico, que saiu da Praça da Bandeira mancando, e gemendo de dor…

Ao chegar em casa foram necessárias muitas compressas de água quente, e Chico disse que só pode voltar a caminhar normalmente e sem dor, depois de uma semana de molho.

E foi o próprio que me relatou esse fato, dizendo: – Vai mexer com quem está quieto, vai! E depois arrematando, dizia: – “O castigo veio a cavalo”