Você está aqui: Capa » COLUNISTAS » Denizart Fonseca » Capivari e sua verdadeira história XXIII
09/10/2017

Capivari e sua verdadeira história XXIII

Prosseguindo

Denizart Fonseca é professor de Educação Física e militar (Foto: Arquivo pessoal)

Denizart Fonseca é professor de Educação Física e militar (Foto: Arquivo pessoal)

Mas esta providência vital para o Município, estava justamente no caso de desagradar o Capitão José Corrêa Leite, e isto bastava – dizia ele -, para que ela não se efetuasse, tanto ele se fia no valimento que se recomenda ter em São Paulo o Prefeito desta, seu amigo e conivente.

Apesar da vigilância com que o povo de Capivari, sempre se guardou, de cair no governo do Capitão José Corrêa Leite considerando que não estando em suas mãos preservar da morte de Felisberto da Costa Guimarães e de informar o Alferes Estanislau de Campos Arruda, que serviam de Juiz de Paz e Suplente, foi força para que o Capitão José Corrêa Leite entrasse, como imediato em votos a exercer aquele cargo, termo da tranquilidade, de que gozava esta Villa.

Este homem unificado com o Prefeito, seu maior amigo, tem exercido os limites de quaisquer vantagens que o empregado público poderia esperar de seu posto para seus fins e para se fazer temido começou por processar um individuo de quem é inimigo capital (Estanislau de Campos Arruda), chamando testemunhas a seu jeito, inimigas do réu, ou amigas dele, Juiz, e desprezando aquelas que eram vizinhas do lugar do delito, ao mesmo tempo que, para se fazer agraciante, não foi processando Firmino Antonio, tendo feito a Firmino Ferreira dos Santos quatro feridas, de que era facílimo morrer, resistindo a voz de prisão em fragrante que lhe dera o escrivão respectivo, só porque seu pai vota como lhe manda o Juiz, seu amigo, e em cuja casa o agressor se foi abrigar.

Faltando eleitores, que pudessem com ele formar o Conselho de Qualificação, convocou indivíduos de sua facção e com eles não teve pejo de excluir do alistamento a cidadãos no caso de pertencerem à Guarda Nacional, e de incluir outros pobres miseráveis sem renda alguma.

Tudo quanto os abaixo assinado vem de expor ligeiramente não é pouco, porém são sombras de arbítrios à vista do que o mesmo Juiz, de acordo com o prefeito, praticou nas passadas eleições quando ele reconheceu que, apesar de tudo, a vontade municipal prevalecia.

Ele se esquece então que, como órgão da lei, vai assistir ao ato mais público e nobre e depois de afixar uma lista donde excluía a cidadãos conhecidamente idôneos, cujos requerimentos indeferiu, inclui a miseráveis pedestres, guardas policiais e domiciliários de outras paróquias, como tudo consta dos documentos A, B, C, D e E, forma Mesa com dobrada maioria de pessoas de sua facção e faz valer que ela tem o exclusivo direito de decidir e julgar sobre a idoneidade dos votantes e não o colégio. Esta Mesa que, só, pode propor, discutir, votar terminantemente sobre tudo, é representada por um advogado que, em lugar do Juiz Presidente, lê os artigos da Instrução, dá e nega a palavra a seu arbítrio, não consente em reclamações, rejeita votantes alistados, aceita células ilegais, e por semelhante modo, leva o povo aos tristes extremos de um rompimento funesto ou do abandono do mais precioso dos seus direitos.

O povo e dois membros da Mesa se retiraram antes do que presenciar tantos arbítrios, e o vazio que deixaram foi suprido por guardas policiais e indignos agentes, que apresentavam à Mesa as cédulas que se lhe davam. Assim ficou a Igreja entregue à Mesa, seu advogado e prosélitos, cercada de policiais armados de paus e espadas, que votavam debaixo da mesma condição, e assim foi reeleito aquele Juiz e para os mais empregos as pessoas de seu mando, contando-se habilitados para eternizarem suas opressões e fazerem um prêmio aos serviços que receberam e um castigo à oposição que encontraram…”

A Câmara, como de hábito, ofereceu essa representação ao exame da minoria, que participou dos debates travados sobre o conteúdo do documento e o assinou como vencida e enquanto seguia o ofício ao Governo da Província, o prefeito tomava providências para evitar a anulação das eleições. (Segue)

Cidadania

Felizmente após longa estiagem as chuvas voltaram, e a temperatura baixa fez com que os casacos deixassem os guarda-roupas e os guarda-chuvas fossem usados. Graças a Deus.

Somente o que não muda é o desrespeito ao Regulamento de Trânsito, devido á falta de ação da nossa Câmara Municipal, não providenciando junto ao órgão competente liberação para que a Polícia Militar, dentro da Lei, puna os infratores com pesadas multas. Só assim carros, motos e caminhões deixarão de transitar na contramão e os ônibus diminuírem a velocidade no centro da cidade. Esperamos que os dignos Vereadores cumpram seu dever também nesse sentido.