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20/10/2017

Do Fundo do Baú Raffard

História de uma vida, uma paineira…

Lembro-me dos dias frios de inverno, quando você era minha confidente, e me confortava quando escutava meus ais…

Quando me sentava em sua raiz já envelhecida, debulhando suas sementes, como as contas de um rosário, silenciosamente conversávamos.

Trocávamos segredos, pois sabia que você jamais iria fraudar meus sonhos…

Falava-lhe da minha dor, quando gravei meu nome em seu tronco robusto, que mais parecia um colo de mãe a pegar-me ao colo e a fazer-me cócegas para tirar-me um sorriso talvez…

Eu colhia as painas, as quais minha mãe usava para fazer colchão, travesseiros, e acolchoados de chita, e com isso nos cobríamos para nos proteger dos dias frios.

Quando suas folhas secavam, deixando um cenário triste, pela falta de suas flores rosas que enfeitavam os meus dias, e sem as painas, assim como você, secavam também minhas lágrimas…

Mas como tudo a seu tempo as coisas voltam, logo as folhas verdes e suas flores voltavam a cobrir o chão, formando um lindo tapete.

Na sua sombra, feliz, eu também retomava a rotina, aprendendo a lição…

Muitas vezes, também sentimos o murchar de nossa alma, porém nossas raízes nos sustentam, dando nos força, e nos alegram mesmo nos dias de inverno, mas a seu tempo a primavera traz de volta tudo o que o inverno levou, e sentimos a mesma alegria dos tempos passados.

O tempo passa amigos, mas a história fica, e cada peculiaridade, se olharmos com sapiência, nos servirá como exemplo de vida para sempre.

Comecemos a prestar mais atenção nas coisas simples da vida, que nos ensina que sempre há depois da adversidade, uma nova oportunidade, um recomeço.

Esta é uma história verdadeira escrita por Aparecida Gomes Bressan (a do meio na foto), e que segundo suas próprias palavras, marcou muito a sua vida, quando ainda criança morava em Rafard.