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27/10/2017

Do Fundo do Baú Raffard

“A pescaria de Néi Groppo, Aderque e Adilson”

Muitas vezes ouvi essa história do próprio Néi Groppo, que certo dia entre muitos, foi convidado a ir pescar junto com Aderque e o filho dele, o Adilson, e como Néi na época era da mesma idade de Aderque, enquanto Adilson era apenas um moleque, Néi, não admitia as brincadeiras e pegadinhas feitas por Adilson, com a complacência de Aderque, que achava tudo aquilo engraçado.

Numa destas idas para uma pescaria, ao sair de casa, a mãe de Adilson, Dona Emília recomendou ao Adilson que tivesse cuidado com a blusa que estava usando, pois era nova, ou que então colocasse uma mais surrada, para preservar a nova para usar em outra ocasião…

Adilson, segundo dizia Néi, muito teimoso foi com a blusa nova para exibir para Néi, que foi com uma blusa já desbotada e velha, porque afinal iam pescar e não passear, dizia ele.

Mas durante todo o trajeto, Adilson ficou fazendo chacota de Néi, por estar com uma blusa surrada e desbotada, e o pai dele, Aderque apenas ria das brincadeiras do filho e da bronca do Néi.

Chegando lá no rio, saiu um sol de rachar mamona, e Adilson imprudentemente, pendurou numa cerca, onde tinha alguns gados pastando, a blusa verde com emblema do Palmeiras que segundo ele, era presente de sua mãe, e havia custado uma nota preta…

Néi dizia que viu uma vaca se aproximando da blusa, mas ficou quieto, e como a época era de seca, o capim também seco, o animal, começou a morder a blusa, enquanto Néi, vendo tudo, ficou quieto, só olhando e rindo, prevendo a cena que iria presenciar…

Quando a vaca já havia engolido um braço inteiro da blusa, Néi começou a dar risada mais alto, e pai e filho viraram para trás, e perguntaram o porquê da graça, foi quando Aderque gritou Dirso! Sua blusa! Corra fio!

Mas já era tarde, Adilson puxou a blusa tão forte, xingando a vaca de todos os nomes feios que tinha em seu repertório, mas só recuperou metade da blusa.

Contava Néi que Adilson veio implorando a viagem toda, de rio, até a entrada de Rafard, para que Néi não contasse para Dona Emília, sua mãe, que ela iria xingar ele.

Néi dizia: – Imagine Adirso, que vou fazer isso para você! Somos amigos, e isso morre aqui entre nóis!

Ao chegar em Rafard, e descer do carro, no retorno da pescaria, ao invés de ir à sua casa, a primeira coisa que Néi Gropo fez, foi ir direto ao Bar onde Dona Emília atendia os clientes e dizer à ela, rindo: – Emília, pergunte para Adirso onde está a blusa nova que você comprou de presente para ele?

E saiu do bar, rindo e feliz por ter ”dado o troco” a Adilson, que entrou de fininho e foi correndo para o quarto.

A bronca que Adilson tomou, fica por conta da sua imaginação…