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09/10/2017

Ideologia do gênero

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

O Banco Santander usou R$ 800.000,00 dados pelo governo federal como incentivo à cultura, via Lei Rouanet e fez uma exposição com o nome “Queermuseu – Cartografias das Diferenças na Arte Brasileira”, inaugurada em 15 de agosto, iria até 8 de outubro reunindo 270 trabalhos de 85 artistas. As obras visavam abordar a “diversidade de expressão de gênero” e questionar “o caráter patriarcal e heteronormativo das coleções de arte”. O nome “Queermuseu” significa museu esquisito, “queer” é ainda uma referência ao gay. A exposição era uma forma de elevar o movimento LGBTQI e a “Ideologia do Gênero”. O museu estava recebendo visita de escolas públicas e particulares, segundo a mídia, sem conhecimento dos pais e sem levar em conta a idade das crianças. Devido a fortes protestos de alguns segmentos da sociedade o Santander encerrou no dia 10 de setembro a exposição. A repercussão chegou ao Congresso e às igrejas. O clamor dos contrários era em protesto à exposição de quadros com hóstias e nelas escrito “pênis”, “vagina”, telas com pedofilia, zoofilia (sexo com animais), sexo a três, quadro de Jesus com vários braços lembrando o deus brâmane “Varaah” com cabeça de porco, segurando rato e objetos, e à deusa hindu “Shiva”. O Deputado Federal Jean Wyllis M. Santos do PSOL foi um dos defensores mais inflamados da exposição e da ideologia. São citados outros como Paulo Freire e a Rede Globo.

Essa amostra que revoltou grande parte dos cristãos, moralistas e o MBL foi mais uma entre outras. No dia 14 deste setembro, a polícia apreendeu um quadro intitulado “Pedofilia” exposto no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande. No dia 15 do mesmo setembro de 2017, o SESC de Jundiaí teve de cancelar, por ordem judicial, a apresentação de uma peça teatral intitulada “Jesus, Rainha do Céu”. A peça seria uma representação de Jesus como personagem transexual. Logo no dia 18, a Prefeitura Municipal de Jundiaí apresentaria no teatro Argos: “A Princesa e a Costureira”, peça que revelando homossexualismo.

Também se revelaram os defensores dessas artes que expressam relacionamento sexual explícito por meio de telas, exalta o movimento LGBTQI e diminui o valor da pessoa de Cristo. Para eles, desde que seja artístico, o liberalismo é válido. Lira Neto, articulista da Folha refere como “tosca carolice” o movimento contrário à arte do Queermuseu; ele diz: “o erotismo, a provocação e a quebra de tabus sempre estiveram presentes na obra de grandes mestres da arte universal…”; que a artista Adriana Varejão inspirou-se na tela sobre pedofilia de Salvador Dali; Bia Leite inspirou-se no Tumblr “Criança Transviada” do jornalista Iran Giusti; que o quadro de Jesus assemelhado à deusa Shiva lembra o exposto no museu de Namur, na Bélgica, no qual Jesus é retratado como Belzebu com chifres de bode, com pênis ereto ao lado de uma mulher nua (Folha de S. Paulo, 17/9/17, p. C 10). Paula Sperb usa o mesmo argumento no seu artigo ao citar a obra “Leda e o Cisne” de Leonardo da Vinci, Leda está nua abraçada ao Cisne apaixonado. (A Vitória das Trevas. Veja, 20/9/17, ps. 75-78). Outro argumento dos protetores da exposição é a liberdade de expressão e da arte. Desvinculam a arte do objeto e do seu significado exarado na arte. Veem, as críticas e a oposição a essa arte como bullying e censura ao direito dos artistas de expor sua crença e seu modo de expressarem, além de impedir o desenvolvimento cultural e intelectual.

Já os críticos, alguns acerbos, veem o efeito que tais artes exercem sobre os expectadores. Acham que elas subtraem a dignidade do divino, incitam à pedofilia e à zoofilia, rebaixam o nível moral da sociedade e achincalham a religiosidade de um povo, de maioria, cristã.

Na realidade, a maioria dos pintores, literatas, dramaturgos e outros, do passado e do presente não é cristã, e se é verdade que a arte reflete o caráter do seu autor, a exposição Queermuseu, revela falta de religiosidade, influência filosófica e critica à religião e a Deus. Quem disse que tais artistas são guias seguros para formação moral das crianças e jovens? A neurologia mostra que tudo o que se recebe pelos órgãos do sentido contribui para a formação do caráter, e os infantes e os jovens são mais susceptíveis, às influências.