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27/10/2017

Moradores criticam falta de diálogo para instalação de gasoduto na cidade

Felipe Poleti
Especial para O Semanário

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Poucos moradores participaram da audiência pública na Câmara Municipal (Foto: Túlio Darros/O Semanário)

RAFARD | Há mais de quatro anos vem sendo discutido, sem conhecimento da população, a instalação de gasoduto pela empresa Comgás que, por hora, teve os serviços paralisados, apesar das demarcações já feitas pelo Centro de Rafard. O motivo é o pedido de explicações feito pelos moradores da rua Marechal Deodoro da Fonseca, local por onde a maior parte da rede vai passar – cortará o Centro da cidade para chegar até o distrito industrial.

As explicações aconteceram em duas audiências realizadas nos dias 19 e 23 deste mês, ficando a opção de manter a rota, porém, com tubulações menores, que passariam de 180 milímetros para 63, reduzindo ainda mais os riscos.

No encontro da última segunda-feira, 23, realizado na Câmara de Rafard, o prefeito Ilson Donizete Maia, vereadores, moradores e representantes da empresa Comgás se reuniram para explicar qual o objetivo da instalação do gasoduto na cidade. Nesta oportunidade, foi apresentado as autoridades um abaixo-assinado com a adesão de 50 famílias que residem na rua Marechal Deodoro da Fonseca e que se resume na seguinte afirmação, conforme consta no documento: “Somos a favor do gás no distrito industrial, mas somos contra sua passagem pela rua Marechal Deodoro”.

O chefe do Executivo afirmou que a Prefeitura está aberta ao diálogo sobre esta questão, lembrou que a cidade já ficou no prejuízo quando “num passado não muito distante” empresas decidiram não se instalar no município por falta de estrutura de abastecimento de energia elétrica. “Na época foi feito o acordo para instalação de uma subestação, porém ela não saiu do papel e algumas empresas decidiram não se instalar em Rafard”, disse. “O gás encanado é uma alternativa mais barata e pode ajudar na vinda de novas empresas, que gerarão empregos, além de colaborar com as empresas que já estão instaladas”, completou Maia.

Para explicar o que é o gás natural, a Comgás enviou seis representantes para uma apresentação e sanar todas as dúvidas dos rafardenses. Há 31 anos na companhia, o gerente executivo, Carlos Cesar, explicou como é extraído o gás natural, suas funções, atribuições e as questões de segurança que envolvem a instalação do gasoduto. “O gás não tem cheiro, por isso colocamos uma substância não tóxica que dá o cheiro ao gás, sendo assim, fica possível perceber qualquer tipo de vazamento. Além disso, por não existir estocagem, o índice de acidentes com gás natural são muito baixos”, declarou.

O executivo explicou também que o gás natural é um combustível ecologicamente correto e considerado “o mais sustentável do mercado”. Lembrou também de grandes economias que se utilizam deste produto, como os Estados Unidos “que consomem dois bilhões de metros cúbicos de gás por dia” e, da Inglaterra, “onde 98% dos moradores usam o gás natural em suas residências”. “Este combustível é vetor de geração de riquezas que fomenta o comércio e a indústria. Nossa rede é segura, tem localização georreferenciada (GPS) com monitoramento 24 horas por dia, sete dias da semana. Nós fomos premiados internacionalmente, entre mais de mil empresas associadas a Ameriacan Gas Association, por quatro anos consecutivos, na categoria desempenho e segurança”, afirmou.

Mesmo com as explicações, os moradores da rua Marechal mantiveram a posição de não permitir a instalação do gasoduto conforme projeto já aprovado. Segundo os cidadãos, a principal reclamação é que ninguém foi avisado e questionaram: “Quem falou que a Comgás poder instalar aqui, na nossa rua? Não ficamos sabendo de nada antes de ver o que iria acontecer aqui. Só percebemos do que se tratava após ver demarcações da empresa pela rua”.

Segundo representantes da empresa, o projeto começou a ser discutido há mais de quatro anos, quando a empresa iniciou os estudos para viabilizar a instalação do gasoduto na cidade vizinha, Capivari. “Depois estudamos Rafard por que ouvíamos muita gente falando que ‘chegou em Capivari porque não vem para Rafard’. Viemos para atender a demanda de empresas e vimos a viabilidade para a cidade também. Há um ano e meio as conversas avançaram e no início do ano começamos o trabalho para instalação da rede”.

Os moradores lembraram que foi realizado somente um traçado para instalação da rede, e sugeriram uma segunda possibilidade, que é seguir com a tubulação – que está próxima a Brasilit (Capivari) – pela rodovia SP 101 até próximo a região da fazenda São Bernardo, para chegar “na porta” do distrito industrial, sem a necessidade de passar pelo centro da cidade. “A diferença de um projeto para o outro vai dar menos de um quilômetro”, afirmaram.

De acordo com a Comgás, o investimento planejado para a cidade é na ordem de R$ 3 milhões, para seis quilômetros de rede e, que deve gerar diversos empregos diretos e indiretos em Rafard. “Porém, para fazer a alteração pedida demora um certo tempo e isso pode prejudicar as empresas que estão cobrando há muito tempo o gás natural. Além disso, não fazemos nada sem as autorizações legais e uma mudança, agora, representaria atraso significativo na obra e prejuízo a cidade”, enfatizou Carlos Cesar.

Sabendo que as tratativas para a vinda do gasoduto na cidade tiveram início há mais de quatro anos, os moradores foram enfáticos ao cobrar a Prefeitura, Câmara e Comgás. “Ouve interesse das empresas e não da população. Porque não veio falar com a gente já que futuramente seriamos clientes? A conversa que acontece hoje deveria ter vindo antes para que nós soubéssemos o que realmente é isso. O interesse é do povo que conhece Rafard”, questionaram.

Para Cesar B. Batistella, pesquisador da Unicamp e proprietário da Natural Products, empresa instalada no distrito industrial de Rafard, que inclusive já realizou investimentos para receber o gás natural, contou que “quando ficamos sabendo que estava vindo pra Capivari, a gente se empolgou”. “Estamos abandonados no distrito, sem internet, que cansamos de pedir, problemas constantes de energia e muitas empresas que viriam aqui, não vieram. Acima de tudo, o gás natural é de interesse do município, para que a cidade evolua também”, desabafou o empresário, único presente na audiência.

De acordo com o prefeito, é necessário chegar logo em bom senso “para que ninguém seja prejudicado já que a cidade precisa desta benfeitoria”. “Se tivesse sido feita esta reunião lá atrás, quando as conversas para esta instalação começaram a avançar, hoje não precisaríamos estar nesta situação que estamos”, disparou Maia.

O gerente executivo da Comgás se propôs a realizar um novo estudo de viabilidade técnica e econômica baseado no traçado sugerido pelos moradores da rua Marechal, porém deixou bem claro aos rafardenses que “se ficar muito caro, vamos fazer o investimento em outra cidade”. Ele disse que a intenção não é prejudicar ninguém que cobrou a vinda da empresa a cidade “mas se ficar inviável não faremos obras aqui e os empresários que já se prepararam para receber o gás vão perder seus investimentos. Vamos estudar, sim, esta outra alternativa mesmo sabendo que neste traçado pode ser inviável já que existe projeto para melhoramentos e ampliação da rodovia por onde a população pede que o gasoduto passe, ou seja, se fizermos agora, teremos que tirar depois, aí o custo dobra”, finalizou.

Ao final da audiência, a equipe da Comgás propôs aos moradores uma opção emergencial. Para cumprir com o cronograma acordado com as empresas, a tubulação do gasoduto seria reduzida de 180 para 63 milímetros, seguindo a rota já traçada. No entanto, essa rota da rua Marechal seria desativada assim que um novo projeto fosse implantado em outro local. Os poucos moradores presentes, pediram até terça-feira, 31, para apresentarem a proposta a todos que assinaram o abaixo assinado, para que todos entrem num acordo sobre a questão.