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Intensidade nas ações do futebol

02/03/2018

Intensidade nas ações do futebol

marcel-capretz

Com a Libertadores já com tudo nesse início de ano pude confirmar um padrão que se repete há muito tempo no futebol: os jogadores de times brasileiros são menos intensos em todas as ações do jogo, com e sem a bola, se comparado aos nossos rivais sulamericanos.

Intensidade no futebol é algo muito subjetivo. Como avaliar? Como medir? Como estatisticamente mensurar se esse padrão de comportamento é determinante no resultado de um jogo? Difícil, mas não impossível.

Defino intensidade como algo muito mais mental do que físico. Correr muito não é sinônimo de correr certo. É mais inteligente aquele que consegue resolver os problemas do jogo com o mínimo de gasto energético necessário. Como exemplo, Lionel Messi que sempre é um dos que menos corre em campo, mas sempre o mais decisivo.

A intensidade para mim é a concentração do atleta em cada momento do jogo. Esteja ele com e sem a bola. O conceito de zona tanto ofensiva como defensivamente traz uma riqueza de situações para observar quem está mais concentrado. Um erro, uma desatenção individual e todo coletivo cai por terra. E nossos jogadores tem uma dificuldade imensa em serem intensos e concentrados nos noventa minutos de uma partida.

É cultural do nosso povo ser individualista. E isso sai da sociedade e entra em campo. É difícil, por exemplo, ver um atacante satisfeito em abrir espaço, atuar sem a bola para deixar o seu companheiro brilhar. Há o paradigma de que jogador bom é aquele que aparece.

Historicamente, nossos talentos individuais decidiram jogos e campeonatos. A eles todos os louros da vitória. Aos ‘coadjuvantes’, ‘carregadores de piano’ um brilho secundário. Mesmo sabendo que em um time todos tem o seu papel. E nossos ambientes de treino nunca propiciaram aos nossos jogadores um ambiente de competição intenso e disputado para que isso vire padrão, seja internalizado mental e corporalmente e apareça nos jogos.

Por tudo isso olhamos um jogo da Libertadores e temos a impressão de que os times brasileiros estão sempre em uma velocidade menor.

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