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Meu pai, e a melhor religião (questão de escolha)

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

As religiões no mundo são como os rios, todos caminham para o mar, e as religiões todas devem conduzir seu fiel para Deus.

E a melhor de todas é aquela que nos faz melhor criatura, mais humana, mais fraterna, mais generosa, mais tolerante, mais perdoadora; aquela religião na qual sentimos que estamos vibrando em sintonia com seus preceitos e de acordo com suas orientações espirituais.

Muitos têm religião por tradição ou costume, mas não a seguem, e outros não praticam. Há mais de quarenta anos conversando com os espíritos desencarnados, através de médiuns, como se fosse um pronto-socorro do SUS espiritual, noto a maioria deles dizendo que não foram instruídos em relação à verdadeira vida. Noto também uma desigualdade de gênero entre os sofredores: a maioria (em torno de 80 por cento) são homens e poucas são as mulheres, algumas ainda presas mais aos laços de família e filhos.

A religião que nos faz melhores e mais tolerantes, mais desapegados material e emocionalmente, mais compassivos, mais éticos, é a que verdadeiramente nos aproxima do Criador e de suas leis sábias e justas, que nos regulam a vida e o destino.

Meu pai era da Congregação Cristã do Brasil; ele nos convidava para ir à igreja e dizia que o mundo terminou uma vez em água, salvando-se apenas Noel, sua família e os animais (desde aquela época Deus tinha preocupação com o meio ambiente, flora e animais), e que agora o mundo iria terminar em fogo – a ideia da terceira guerra mundial.

Ele desencarnou e nada disso aconteceu.

Mas seus exemplos de amor à família, de honestidade e religiosidade foram vigorosos nele. Inclusive, não impondo aos filhos que seguissem sua crença – apenas sugeria e esclarecia seu ponto de vista.

Não era dado ao vício e não era de beber socialmente.

Pensando nisso de religião e de “sermos melhores”, não dá para ser feliz quando só em São Paulo existem 20 mil pessoas morando na rua (por problemas de álcool, drogas, transtornos mentais e desajustes familiares e sociais). Na nossa Capivari, quantos são os abandonados?

Tem um bom grupo vadiando pelos bairros, vendendo drogas e bebendo pelos bares. A ponte do Moretto não deixa de ser um antro de desabrigados, “morrendo” na rua – sim, não é “morando”, porque vários dos que passaram por baixo dessa ponte já vieram a óbito, e alguns estão encarcerados.

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
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